CASA
Já estiveram dentro de uma onde é preciso fechar todas as portas e janelas para que o fumo que cobre toda a região envolvente não entre? Venho agora de lá.
Também subi ao cimo de serras, onde 5 ou 6 incêndios tinham deflagrada ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo. No centro do país, os bombeiros já sabem: 2h da tarde é hora de pôr o capacete e começar a apagar umas das várias frentes do fogo que vai rebentar. Mão criminosa, sim. Por todas as razões.
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
24 de agosto de 2005
19 de agosto de 2005
A FÁBRICA DE TIM BURTON
Conheço poucos realizadores que peguem em géneros marcados e os transformem, como o Tim Burton. "Char. e a Fábrica de Chocolate" é uma adaptação formidável do célebre livro infantil. O mundo onírico a roçar o delírio. E a crueldade habitual a levar putos insuportáveis para o merecido destino.
Claro que o melhor de tudo são os números musicais dos Umpa-Lumpa, mas isso não é novidade: o que se poderia esperar de pessoas que sobreviveram aos terríveis animais da sua terra construindo casulos nas árvores?!
Conheço poucos realizadores que peguem em géneros marcados e os transformem, como o Tim Burton. "Char. e a Fábrica de Chocolate" é uma adaptação formidável do célebre livro infantil. O mundo onírico a roçar o delírio. E a crueldade habitual a levar putos insuportáveis para o merecido destino.
Claro que o melhor de tudo são os números musicais dos Umpa-Lumpa, mas isso não é novidade: o que se poderia esperar de pessoas que sobreviveram aos terríveis animais da sua terra construindo casulos nas árvores?!
18 de agosto de 2005
A NORTE
Sabemos pouco do Norte, os que vivemos a Sul. As televisões ignoram-no, os jornais afloram o que por lá se faz. É por isso, sempre com emoção que subimos acima de Guarda, que se mergulha em território transmontano. Se sobrevivermos aos Ips, entramos em estradas sinuosas, ladeadas de montes altos, serras, montanha. A terra a retalhar-se em socalcos cobertos de vinha. Em baixo, muito em baixo, o rio. O Cávado, o Douro... e os outros todos de que lembramos os nomes apenas dos livros escolares.
As cidades cresceram desmesuradamente, descaracterizando-se tanto como a Sul. Pressuponho que as populações vivam melhor do que antes, no meio de tantas casas e ruas. Na verdade vi por todo o lado "Centros de Cultura", falta-me saber se com programação regular, mas acredito que sim.
O povo é afável e pronto a ajudar nas direcções: "Estás a ver a Sá Carneiro?! (não, não estava...) Vais por ela adiante, chegas lá à frente e viras para a Bouça...". Na mesa, a carne. A posta. Mirandesa ou de outro lado qualquer. Já para os legumes, só na sopa, benza-os deus. E tantos que por lá se avistam, luxuriando-se nas hortas, junto aos caminhos.
Sabemos pouco do Norte, aqui, no Sul. Mas bem-haja a renovada descoberta que fazemos em cada viagem.
Sabemos pouco do Norte, os que vivemos a Sul. As televisões ignoram-no, os jornais afloram o que por lá se faz. É por isso, sempre com emoção que subimos acima de Guarda, que se mergulha em território transmontano. Se sobrevivermos aos Ips, entramos em estradas sinuosas, ladeadas de montes altos, serras, montanha. A terra a retalhar-se em socalcos cobertos de vinha. Em baixo, muito em baixo, o rio. O Cávado, o Douro... e os outros todos de que lembramos os nomes apenas dos livros escolares.
As cidades cresceram desmesuradamente, descaracterizando-se tanto como a Sul. Pressuponho que as populações vivam melhor do que antes, no meio de tantas casas e ruas. Na verdade vi por todo o lado "Centros de Cultura", falta-me saber se com programação regular, mas acredito que sim.
O povo é afável e pronto a ajudar nas direcções: "Estás a ver a Sá Carneiro?! (não, não estava...) Vais por ela adiante, chegas lá à frente e viras para a Bouça...". Na mesa, a carne. A posta. Mirandesa ou de outro lado qualquer. Já para os legumes, só na sopa, benza-os deus. E tantos que por lá se avistam, luxuriando-se nas hortas, junto aos caminhos.
Sabemos pouco do Norte, aqui, no Sul. Mas bem-haja a renovada descoberta que fazemos em cada viagem.
5 de agosto de 2005
O SALTO À VARA
Com os campeonatos de Helsínquia a começar, não percebo porque anda tanta gente admirada com a nomeação de Armando Vara para director geral da Caixa G. Depósitos.
Ele é a prova que a universidade não faz falta nenhuma. Basta tirar o 12º, entrar na política e um dia tem-se os economistas mais laureados a fazer vénias à passagem.
ps: depois da nomeação de uma criatura com as capacidades de Celeste Cardona, pelo anterior executivo, já nada me surpreende.
ps2: a não ser, talvez, um grilo que aprendesse a escrever argumentos... Bah, deliro! É do calor.
Com os campeonatos de Helsínquia a começar, não percebo porque anda tanta gente admirada com a nomeação de Armando Vara para director geral da Caixa G. Depósitos.
Ele é a prova que a universidade não faz falta nenhuma. Basta tirar o 12º, entrar na política e um dia tem-se os economistas mais laureados a fazer vénias à passagem.
ps: depois da nomeação de uma criatura com as capacidades de Celeste Cardona, pelo anterior executivo, já nada me surpreende.
ps2: a não ser, talvez, um grilo que aprendesse a escrever argumentos... Bah, deliro! É do calor.
4 de agosto de 2005
O ANO DO BRASIL
Sabia que este seria o ano dele. Não sei como sabia, mas estas coisas são mesmo assim.
Parto no início de Setembro para percorrer esse enorme país de Norte a Sul. Pelas trilhas antigas, longe dos Maceiós e dos Portos Galinhas. Regressarei vários meses depois.
Pela primeira vez, desde que fui atrás do Sacha até França, aquando da MATERNA DOÇURA, não sei o que vou à procura. Na verdade, para ser honesto, vou tentar ver o que as minhas personagens já viram e não me querem dizer.
Se eu não sobreviver às viagens de barco com as populações da região Amazónica ou desaparecer algures perto de Ouro Preto... fiquem a saber que foi um prazer, este convívio de 3 anos de blogue.
Um Prazer_Inculto.
Lol! ;)
Sabia que este seria o ano dele. Não sei como sabia, mas estas coisas são mesmo assim.
Parto no início de Setembro para percorrer esse enorme país de Norte a Sul. Pelas trilhas antigas, longe dos Maceiós e dos Portos Galinhas. Regressarei vários meses depois.
Pela primeira vez, desde que fui atrás do Sacha até França, aquando da MATERNA DOÇURA, não sei o que vou à procura. Na verdade, para ser honesto, vou tentar ver o que as minhas personagens já viram e não me querem dizer.
Se eu não sobreviver às viagens de barco com as populações da região Amazónica ou desaparecer algures perto de Ouro Preto... fiquem a saber que foi um prazer, este convívio de 3 anos de blogue.
Um Prazer_Inculto.
Lol! ;)
2 de agosto de 2005
ESCRITORES
Hoje convidei vários amigos escritores a colaborarem no blogue. Espero que eles o façam de vez em quando, pois além de serem bons na literatura, são boa gente.
E há poucos. Bons escritores e boa gente.
Num café de Lisboa vejo uma tapeçaria do Eça (não, não foi no falso Hotel Bragança que a câmara de Lisboa queria comprar por engano...). Penso que a maior parte da sua obra foi publicada muito perto da data da sua obra. Sobretudo após. O Eça está bem para Portugal porque está morto. Pode-se fechar o livro quando incomodar. E, com aquela linguagem... Vê-se logo que aquilo tudo só se podia passar no século XIX!
Hoje convidei vários amigos escritores a colaborarem no blogue. Espero que eles o façam de vez em quando, pois além de serem bons na literatura, são boa gente.
E há poucos. Bons escritores e boa gente.
Num café de Lisboa vejo uma tapeçaria do Eça (não, não foi no falso Hotel Bragança que a câmara de Lisboa queria comprar por engano...). Penso que a maior parte da sua obra foi publicada muito perto da data da sua obra. Sobretudo após. O Eça está bem para Portugal porque está morto. Pode-se fechar o livro quando incomodar. E, com aquela linguagem... Vê-se logo que aquilo tudo só se podia passar no século XIX!
1 de agosto de 2005
JORNADAS DA COVILHÃ
Por razões de agenda não me foi possível estar presente nos encontros literários da Covilhã. Parece-me, contudo, sempre boa ideia juntar escritores, estudiosos e público no mesmo espaço.
Entre outras conclusões, foi possível ouvir de Agustina: "como é o meu direito de mulher, já mudei muito; simplifiquei, tornei-me mais infantil». «Nasci adulta e morrerei criança, sempre voltada para o futuro».
Acrescentar o quê?
Por razões de agenda não me foi possível estar presente nos encontros literários da Covilhã. Parece-me, contudo, sempre boa ideia juntar escritores, estudiosos e público no mesmo espaço.
Entre outras conclusões, foi possível ouvir de Agustina: "como é o meu direito de mulher, já mudei muito; simplifiquei, tornei-me mais infantil». «Nasci adulta e morrerei criança, sempre voltada para o futuro».
Acrescentar o quê?
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